Eu gosto de me sentar numa mesinha do shopping, tomar um suco ou sorvete...ou durante um evento social que tenho obrigação de comparecer...ou durante uma coletiva de imprensa.... ou durante um passeio com o Carl....ou durante uma simples caminhada....
Gosto de ficar observando as pessoas à minha volta.
Gosto de observá-las em suas conversas, em suas risadas e beijos apaixonados.
Costumo observá-las enquanto imagino de onde são, o que fazem e para onde irão quando passam pelas portas em direção à rua.
Fantasio suas vidas como se fossem personagens de um filme e praticamente sou capaz de afirmar quais são suas cores, livros e canções preferidas, a última vez que choraram assistindo a um filme e quantas vezes tiveram o coração partido.
Me perco em pensamentos a respeito de suas dúvidas, desejos e medos.
Às vezes tenho vontade de puxar conversa, oferecer uma palavra de apoio ou apenas compartilhar de uma boa notícia, quando vejo que sorrisos são mais numerosos do que silêncios encabulados.
Meus preferidos são os solitários que, assim como eu, se sentam sozinhos acompanhados de uma revista, livro ou notebook. Adoro os que conversam ao telefone, principalmente no momento em que encerram a ligação e entram em contato com a própria e inefável solidão momentânea, naquele instante em que ainda conservam uma risada que morre no tempo, ou no exato segundo em que uma ruga de preocupação se desvanece na expressão.
Adoro os que aparecem munidos de laptops e suas expressões faciais enquanto viajam na virtualidade.
Observar as pessoas assim faz com que eu me sinta absolutamente pertencente ao mundo, ao mesmo tempo em que constato o quão infinita pode ser minha existência.
Minha essência eterna se manifesta em momentos em que nada me faz companhia, exceto os pensamentos...